quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Uso Popular e Científico da Babosa (Aloe)


DADOS DE CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA
Nome botânico: Aloe vera L, syn. Aloe barbadensis Miller, syn. Aloe vulgaris Lank.

Família: Liliaceae

Existem cerca de 360 espécies de aloe.



Aloe spicata L. – folhas planas, carnosas, até 1 m de comprimento, verdes com manchas brancas, dentadas e com os espinhos bem espaçados; flores branco-esverdeadas, campanuladas, dispostas em espigas sobre haste central. Originária da África do Sul.

A.succotrina (A perfoliata, A soccotrina) folhas ensiformes, quase em roseta, linear-lanceoladas, ápice voltado para dento, verde-claras ou amareladas, serradas e com as margens brancacentas e guarnecidas de dentes triangulares; flores amarelas ou vermelho-vivo na base e esverdeadas em cima, dispostas sobre haste central em cachos não ramificados. Origem: África do Sul.

Aloe vera L – folhas ensiformes, densas, lanceoladas, estreitando-se da base para o ápice, côncavas na parte superior e convexas na inferior, carnosas manchadas; flores amarelo-esverdeadas, tubuladas, pendentes, dipostas em racimos terminais densos sobre haste simples ou ramificada, fruto ovóide-oblongo, contendo sementes aladas. Origem: costas do Mar Vermelho. No parênquima das folhas encontra-se um suco gomoso, extremamente amargo, que reduzido a pó, tem cor amarela.

Aloe arborescens Miller: esse aloe é muito usado na Rússia, Japão, Coréia e sul do Brasil.



Parte utilizada: parênquima da folha fresco ou desidratado que corresponde à folha sem epiderme e os espinhos, vulgarmente chamado de gel da babosa.

A palavra Aloe refere-se ao suco ou látex obtido dos túbulos pericíclicos de várias espécies de Aloe. Ele não deve ser confundido com o gel de aloe, uma mucilagem do tecido parenquimal interno da folha. Não sendo uma planta no sentido comum, o látex de aloe é uma preparação vegetal classificada farmaceuticamente como um suco.



Histórico:

Seu nome provém do grego aloe ou do hebraico “Halal” ou do arábico “alloeh” que significa substância amarga e brilhante; Vera vem do latim, significando verdadeira.



USOS TRADICIONAIS


Essa resina é purgativa, emenagoga, útil nas congestões no fígado, é abortiva. Usado externamente evita a queda de cabelos e cicatriza queimaduras. A polpa é emoliente e resolutiva, recomendada nos engurgitamentos do fígado e do baço, tumores e panarícios.

O Frei Romano Zago (região sul do Brasil) afirma que a espécie Aloe arborescens apresenta melhores resultados que a Aloe vera. Para ele as propriedades medicinais encontram-se na folha toda e não apenas no gel, assim, como na arborescens o volume da casca é muito grande, há maior concentração de substâncias. Usou amplamente essa planta no Rio Grande do Sul (Brasil) para diversos tipos de doenças inflamatórias com ótimos resultados. Segundo suas experiências essa planta é eficaz contra o câncer. Baseou-se em uma tradição popular local do uso da babosa para reumatismos e câncer. Sua receita: “3 ou 4 folhas de babosa (sem os espinhos e não lavadas, apenas limpas com um pano), meio kg de mel e 4 colheres de cachaça ou conhaque – tudo batido no liquidificador”. Não se deve usar a babosa em flor. Indicada para fortalecer o sistema imunológico, em doenças como: câncer, asma, alergias, artrose, reumatismos.

É uma das plantas cujo uso em medicina popular no nordeste do Brasil é dos mais antigos. Tem sido usada para: aplicação de pedaços das folhas como emoliente para acelerar o amadurecimento de furúnculos, abcessos e panarícios; aplicação do suco no tratamento de queimaduras; fricções do suco ou do cozimento das folhas no couro cabeludo como remédio contra caspa e queda de cabelos; uso de pedaços da parte interna das folhas como supositório no tratamento de inflamações anorretais (por hemorróidas); suco da folha, escoado espontaneamente, endurecido com fécula de mandioca e moldado em pílulas de ação laxante.

Acredita-se que a rainha de Saba, no século X a.C usava óleos balsâmicos com sumos de aloe para o cuidado de sua pele e cabelos.

Também foram encontrados desenhos de aloés em algumas tumbas de faraós.





USOS CLÁSSICOS “ESTANDAR”


Medicina Tradicional Chinesa:



Está classificada como “erva que purga o calor”. Erva amarga e fria, por isto possui ação drenante do Qi bastante acentuada. Drena o calor através do tubo digestivo. Age a nível de estômago e intestino delgado, onde os fatores patogênicos costumam se instalar. Usada para síndromes de excesso, onde o calor se instala nas vísceras. Isso ocorre nas síndromes de calor do intestino delgado, calor no estômago e intestinos, síndrome da víscera Yang Ming (na diferenciação segundo os 6 níveis energéticos) e, às vezes, em quadros de estagnação do Qi do fígado com transformação em calor. Os sintomas são: constipação com fezes muito ressecadas, dor abdominal, evacuação dolorosa, episódios de sangue nas fezes, desconforto abdominal que piora com a pressão, distensão abdominal, língua com saburra bastante acentuada ou espessa, amarela ou ressecada, pulso em excesso.



Eventualmente essas ervas podem ser usadas em quadros de frio e excesso com estagnação de Qi no fígado e intestino delgado (ou acúmulo de frio no canal do fígado e intestino delgado) com dor e distensão abdominal, constipação, desejo de bebidas quentes, timpanismo periumbilical, irritabilidade, gosto amargo na boca, língua com saburra branca e pegajosa, pulso tenso ou em corda. Nestes casos, deve-se adicionar ervas amornantes que promovam a circulação de Qi, como Córtex Magnoliae Officinalis e Fructus Aurantii Imaturus.



Por ser drenante e fria, são contra-indicadas em pacientes com deficiência de Qi do baço e estômago (gera diarréia) e em gestantes (descendem o Qi do útero, podendo acarretar abortamento ou trabalho de parto prematuro). Por drenarem e serem frias consomem yang Qi, por isso devem ser empregadas com cuidado em casos de frio ou deficiência e estão contra-indicadas se há concomitância de frio e deficiência no mesmo paciente.

- Parte usada: preparado seco, feito com as folhas.

- Locais de ação: fígado, baço, estômago e intestino grosso.



Funções:



Drena o calor e descende o Qi
Para padrões de calor nos intestinos, com constipação, fezes muito ressecadas, sede, dor à evacuação, episódios de sangue vivo nas fezes e dor abdominal que piora com a pressão. Particularmente indicada em casos de calor nos intestinos e no fígado, com os sintomas acima associados à irritabilidade, gosto amargo na boca, cefaléia pulsátil e olhos vermelhos.

Drena calor e clareia o calor do fígado
Para padrões de hiperatividade do Yang do fígado, com irritabilidade, gosto amargo na boca, cefaléia pulsátil, tonturas, olhos vermelhos, insônia, ansiedade, calor no corpo ou febrícula e língua vermelha.

Tonifica o estômago e promove a digestão
Para padrões de digestão deficiente por dieta inadequada. Particularmente indicada em desnutrição infantil.

Externamente usada para queimaduras, picadas de inseto e perda de cabelos.


- Doses: 300 mg a 2 g, apenas em pílulas ou sob a forma de pó.

- Precauções e contra-indicações:

contra-indicado durante a gestação e a menstruação
usar cuidadosamente em casos de deficiência do Qi ou frio no baço e estômago (por ser fria e drenante consome o Qi e o Yang do aquecedor médio, podendo causar ou agravar diarréia. Em pacientes desse tipo, deve-se empregar doses baixas, associando ervas tônicas do baço e ervas que aqueçam o interior como Rhizoma Zingiberis e Rhizoma Atractylodes Macrocephala).
Contra-indicado em casos de sangramento baixo (esta erva descende o Qi e drena o Yang do baço, com isso, o baço não retém o sangue nos vasos, agravando sangramentos por via baixa)


- Na época do Egito Antigo se fabricavam elixires de longa vida com sumo de aloe, segundo o papiro de Ebers.



- No século I de nossa era, Dioscórides fazia referência às virtudes do aloe, por via interna, em casos de insônia, constipação, cefaléia e gastrite, e por via externa, em casos de alopécia, sangramento de gengivas, queimaduras e manchas solares.





USOS CIENTÍFICOS


Estudos permitiram identificar na composição química das folhas de babosa uma nova substância estimulante da formação de fibroblastos em cultura de células que recebeu o o nome de aloeferon. Esta descoberta, aliada às propriedades antibacteriana, antifúngica e, talvez, antivirótica comuns às antraquinonas justifica, pelo menos em parte, o uso popular das folhas de babosa como antisséptico, cicatrizante e antiinflamatório.

Constituintes: Aloe vera:



- derivados antracênicos em parte liberados (1% antraquinonas livres) e em parte combinados na forma glicosídica (10-30% de antraquinonas), tendo como elemento principal a aloína (barbaloína ou aloemodineantrona glicosídeo), presente entre 5-25 %, além de emodina e aloinose.



- Possui uma apreciável quantidade de ácido crisofânico (0,05-0,5%) que não é encontrado em outras espécies de aloés

- Enzimas: celulase, carboxipeptidase, catalase, amilase, oxidase.

- 18 dos 22 aminoácidos que o organismo necessita.

- Vitaminas A, B1, B5, B12, C, E

- Sais minerais: Ca, K, Na, Cl, Mn, Al, fósforo, cobre, ferro, magnésio

- Acemannan, um complexo carboidrato que diminui os efeitos da radiação na pele e acelera sua cicatrização.

- Além de grande quantidade de ingredientes inativos, incluindo resinas e óleos voláteis (16-63%)



Indicações:



- Fitoterápico: laxante, no tratamento de constipação crônica, icterícia, afecções biliares, ulcerações causadas pelo frio, pé-de-atleta, queimaduras por excesso de raios X e queimaduras solares. Aumenta o fluxo menstrual em pequenas doses. Acne, psoríase, coceiras, eczemas, erisipela, cicatrizante de pequenos ferimentos. Calmante em picadas de insetos.

- Fitocosmético: desodorante, removedor de maquilagem, fortalecedor couro cabeludo e no tratamento de alopecia seborreica. Aplicado em loções pós-barba, produtos para peles flácidas, condicionadores capilares, preventivo de rugas, produtos para peles secas e cabelos secos ou com caspa.



Efeitos colaterais:

- uso interno prolongado provoca hipocalemia, diminui a sensibilidade do intestino, necessitando aumento da dose, ocasionando surgimento de hemorróidas. Pode causar irritação dérmica e ocular, além de intoxicação aguda, podendo levar à morte.



Preparações:



- uso interno: folhas maceradas, pó, extrato seco, tintura

- uso externo: gel mucilaginoso fresco: queimaduras, abrasões, irritações da pele, pequenos ferimentos. Xampus.

Partes utilizadas:



- porção mucilaginosa do parênquima tissular (gel). Parte mais apreciada para a cosmética.

- Suco ou exsudato (acíbar): obtém-se deixando fluir o líquido que surge de suas folhas cortadas transversalmente.



*Para a colheita as plantas devem ter 4-5 anos de idade e escolhem-se as folhas inferiores que costumam ser as mais antigas e mais ricas em princípios ativos. O corte se realiza após finalizada a floração.



Ações farmacológicas:



- aparelho digestivo: considerada um laxativo estimulante, que contém antranóides, agindo diretamente na mucosa intestinal. Os laxativos estimulantes geralmente induzem um movimento intestinal não fisiológico com fezes soltas e cólicas freqüentes.

As antraquinonas agem essencialmente sobre as células da mucosa intestinal, fazendo-os secretar grande quantidade de água e eletrólitos. A absorção de Na e glicose é fortemente reduzida.

As antraquinonas do látex ou acíbar lhe conferem ação tônica digestiva e colagoga em baixas doses (0,02-0,06), ação lubrificante e laxante suave no trato digestivo em doses que não ultrapassem os 0,1 g por tomada, enquanto doses maiores (0,2-0,5 g) já se consideram irritativas do trato intestinal. O efeito laxante é rápido, cerca de 8 horas após a ingesta oral. Sua potência laxante é superior à cáscara sagrada e sena.

- Atividade antiinfecciosa: ensaios com o sumo fresco ou acíbar de aloe inibiram crescimento bacteriano e foram até mesmo bactericidas (vários tipos de bactérias foram testadas). Tem excelentes efeitos para prevenir (queimaduras) e curar infecções da pele, segundo estudos feitos. Outros trabalhos demonstram efeitos antivirais frente a vírus tipo I e II do Herpes simples, varicela zoster e influenza. Extratos injetáveis de Aloe Vera demonstraram efeito protetor hepático em pacientes afetados por hepatite viral, diminuindo nível de transaminases.

- Pele e cabelo:

Anticaspa e antiqueda de cabelos, lenitivo após sol, antiinflamatório e cicatrizante.

Extratos de Aloe vera em forma de gel preservam a microcirculação após injúria térmica, inibindo produtos derivados do metabolismo do ácido araquidônico, como o tromboxano B, limitando a produção de prostaglandinas F2a, prevenindo assim a progressiva isquemia dérmica, especialmente em casos de feridas queimantes. Estimula a atividade dos macrófagos e fibroblastos (aumento da síntese de colágeno e proteoglicans), promovendo o reparo dos tecidos.

A lamentável tragédia de Chernobyl na Rússia permitiu ensaiar o gel de aloe em queimaduras por radioatividade com muitos bons resultados.

Formas injetáveis de Aloe vera deram bons resultados cicatrizantes, em especial sobre feridas abertas.

* O extrato cru do gel de A vera demonstrou maior eficácia do que o extrato purificado em creme.

- Aparelho respiratório: alguns estudos mostram melhora com uso de xarope em pacientes asmáticos

- Ação imunomoduladora: tanto o gel como o acíbar do Aloe Vera demonstraram ações imunomoduladoras, responsáveis em grande parte pela atividade antiinfecciosa e antineoplásica.

- Ação analgésica, antiinflamatória e antipirética

- Ação hipoglicemiante



Efeitos adversos/tóxicos:

O emprego interno de Aloe Vera, livre de antraquinonas, é, em geral, bem tolerado. O uso interno diário de preparados que contém antraquinonas, por períodos prolongados (mais de 3 meses) provoca dores abdominais, às vezes diarréias sanguinolentas, hemorragia gástrica e nefrite.

Usos cosméticos: a polpa (translúcida e gelatinosa) pode passar-se diretamente sobre a pele, como tonificante e em casos de acne, onde se aplica após um banho de vapor com camomila.



Aloe arborescens Miller: esse aloe é muito usado na Rússia, Japão, Coréia e sul do Brasil.
Ações farmacológicas do Aloe arborescens:

- Atividade antiinflamatória-analgésica: a presença de uma glicoproteína aloctina A tem efeito bloqueador da bradicinina, razão da atividade antiinflamatória. O ácido succínico presente neste aloe em combinação com salicilatos foi demonstrado eficaz nos casos de artrite e febre reumática.

- Atividade digestiva: a aloenina e o lactato de magnésio demonstraram inibir a secreção ácida do suco gástrico.

- Aparelho respiratório: benéfico para asma

- Pele: ação regeneradora tissular

- Infecções: como tratamento concomitante à tuberculose, diminuiu os efeitos colaterais. Bacteriostática para um grande espectro bacteriano.

- Área circulatória: efeito anti-aterogênico, anti-hipertensivo.

- Câncer: em um ensaio usando esse aloe em pacientes com patologias oncológicas avançadas diversas observou-se redução na velocidade de crescimento dos tumores.

Efeitos adversos/tóxicos: não se evidenciou nas doses utilizadas. No entanto, não se recomenda seu emprego durante a segunda metade da gravidez, em descompensações cardíacas e em insuficiência renal aguda.

Usos/formas do Aloe arborescens:

- Similares aos de Aloe vera

- Extratos de Aloe arborescens são administrados pelos russos em forma de injeção subcutânea diária na dose de 1 ml (30-35 injecções por curso de tratamento). Os tratamentos podem ser repetidos a intervalos de 2-3 meses.



*** Para uso local deve-se usar o sumo das folhas frescas da babosa recém colhida, obtido por escoamento espontâneo. As folhas são cortadas em bico de gaita na base e dependuradas sobre um prato fundo até o dia seguinte. Este sumo deve ser conservado na geladeira para ser usado como cicatrizante de ferimentos na pele.

Para uso oral o sumo deve ser dessecado ao sol ou a calor direto até restar uma resina quebradiça que deve ser transformada em pó, por meio de simples pulverização, ou em tintura por dissolução em álcool. A tintura de resina de babosa pode ser preparada misturando-se 2,5 g da resina em 100 ml de álcool 70 graus GL (mistura de 70 ml de álcool absoluto com 30 ml de água). Deixa-se em recipiente fechado, em lugar quente (lado do sol), durante 7 dias, filtra-se e completa-se para um litro com álcool 70. Conserva-se em frascos fechados.



LENDAS – MITOS


-Curadores e taumaturgos muçulmanos e judeus da antiguidade acreditavam que a babosa representava uma proteção para todos os males e, por isso, usavam as folhas até penduradas na porta de entrada da casa.

- Perto de Meca era plantada ao lado dos túmulos para dar paciência aos mortos.

-Narra a história que Alexandre, o Grande, teria conquistado as Ilhas de Socotorá, no Oceano Índico (século IV a.C), porque lá vegetava abundantemente um tipo de babosa, usada com sucesso pelos curadores, graças aos seus poderes cicatrizantes; sendo este então seu principal interesse nas ilhas: ter plantas suficientes para curar os ferimentos dos seus soldados após as batalhas.

Com relação às suas virtudes cosméticas, foram conhecidos os segredos de beleza de Cleópatra – ela já se beneficiava das propriedades rejuvenescedoras dos aloés sobre a cútis e o cabelo, para manter sua beleza. A polpa da babosa ocupava lugar de destaque, além dos famosos banhos de leite de cabra.

Usada no antigo Egito para fins medicinais e religiosos, bem como para conservação dos cadáveres mumificados.



FORMA E VIDA


Nasce espontaneamente em várias regiões do Brasil.

Notável resistência às intempéries. Fornece fibras muito resistentes, prestando-se para cordoalha, esteiras e tecidos grosseiros. Precisa de pleno sol para se desenvolver bem.

Aloe vera: nasce em forma de tufo e produz flores amarelas.

Aloe arborescens: planta perene, pode alcançar até 13 m de altura. Cultivo em terra com húmus; agüenta período de seca. Cresce em solos calcáreos, não muito ricos nem com demasiado sol já que o mesmo resseca as folhas.

Planta com caule ereto, com cerca de 1,5 m de altura, folhas carnosas, triangulares, dispostas em espiral numa roseta, lanceoladas, de até 50 cm de comprimento. Na base das folhas se encontram vasos condutores cheios de um látex de cor amarelo-mel escuro, de odor rançoso e sabor amargo. Apresenta espinhos mais proeminentes nas bordas das folhas que a Aloe vera.

As flores pendulares são reunidas em cacho. Suas flores são hermafroditas e apresentam uma tonalidade variável vermelho-amarelas, em forma de espiga piramidal, conformadas por 6 peças ao longo de um pedúnculo de 25-35 cm de altura. O fruto é uma cápsula triangular delgada, que encerra em seu interior as sementes em sua maior parte híbridas. Algumas variedades não possuem sementes.

Tem sabor muito amargo e nauseante, odor forte e desagradável.

Retém grande quantidade de água em suas folhas.





ESSÊNCIA DO REMÉDIO:


Tendo em vista sua ação imunomoduladora mostra-se eficaz como antiinflamatório nas doenças reumáticas.

Como drena fatores patogênicos e calor pelo tubo digestivo (erva fria – grande quantidade de água nas folhas) é útil nos problemas digestivos (causados pelo excesso de calor) e obstipação intestinal. Sendo amarga atua no fígado, desobstruindo-o.

Sua característica de resistência das folhas, fornecendo fibras resistentes, é útil na regeneração dos tecidos, especialmente a pele. Somando o efeito regenerador de tecidos, o estímulo de crescimento dos tecidos, o efeito antibacteriano e antiinflamatório, torna-se muito útil nas queimaduras e feridas na pele, atuando também como preventiva e curativa de infecções secundárias.

Talvez sua capacidade de resistir e viver em solos pobres, sobreviver na seca, ter espinhos de defesa, explique sua capacidade de curar ou paliar enfermidades graves, mantendo a vida.

Por antagonismo, retarda o crescimento das neoplasias, diminui a vida das células tumorais, mas mantendo a vida do paciente.

Ao mesmo tempo que regenera e estimula a multiplicação de células para cicatrização (efeito do semelhante), inibe o crescimento de células neoplásicas (efeito do antagonismo). Ou seja, mantém a vida em condições adversas, mas para isso necessita de energia vital, por isso, a planta não cresce ou vive sem o sol.









BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS


1- Dicionário de Plantas Úteis do Brasil – Volume I – M. Pio Correa – Rio de Janeiro, Imprensa Nacional – 1926-1978 – Ministério da Agricultura

2- Fitoterapia Chinesa e Plantas Brasileiras – Dr. Alexandros Spyros Botsaris – pág 281 e 282 – Editora Ícone, 1995

3- Herbarium: compêndio de fitoterapia – Magrid Teske, Anny Margaly M. Trentini – 4a. ed. Revisada 2001, Curitiba – Brasil: Herbarium Bot. Ltda.

4- http://www.jardimdeflores.com.br/ERVAS/babosa

5- O Câncer tem cura – Frei Romano Zago – Editora Vozes – Brasil

6- Tratado de Fitoterapia: bases clínicas x farmacológicas – Jorge R. Alonso – Isis Ediciones 1998 – Buenos Aires – Argentina

7- Fitoterapia Racional: um guia de fitoterapia para as ciências da saúde. Volker Schulz; Rudolf Hansel; Varro E. Tyler. Ed. Manole – São Paulo - 2002

8- Who monographs on selected medicinal plants – vol I – World Health Organization 1999, Geneva

9- Plantas Medicinais – F. J. Abreu Matos – Fortaleza – Brasil, IOCE, 1989





Dra. Ana Cristina Machado
Médica do Instituto Seraphis, especialista em Homeopatia e Acupuntura

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